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Nem sempre é só uma birra. Entenda o Transtorno de Oposição Desafiante

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Nem sempre é só uma birra. Entenda o Transtorno de Oposição Desafiante

A criança se opõe a tudo e a todos e faz questão de desafiar, especialmente autoridades, como pais e professores? Não aceita ordens e não respeita os sentimentos alheios, culpabilizando outras pessoas por atitudes que ela mesma cometeu? Pode ser TOD. Entenda condição e veja com a nossa estrela convidada, a psicóloga especialista em neuropsicologia, Lais de Oliveira, o que fazer

28/06/2023

A criança se opõe a tudo e a todos e faz questão de desafiar, especialmente autoridades, como pais e professores? Não aceita ordens e não respeita os sentimentos alheios, culpabilizando outras pessoas por atitudes que ela mesma cometeu? Pode ser TOD. Entenda condição e veja com a nossa estrela convidada, a psicóloga especialista em neuropsicologia, Lais de Oliveira, o que fazer

“Meu filho sempre foi uma criança agitada, mesmo quando dormia, acordava gritando, tinha pesadelos. Ele também nunca aceitou muito bem as regras e ao ouvir um “não”, se jogava no chão e surtava. Desde muito cedo, buscamos compreender o que era esse comportamento. No início, achávamos que era o famoso terrible two, depois, quem sabe, um terrible tree… Mas aquilo não passava. E foi nos incomodando cada vez mais. Comecei a ler sobre esse comportamento e a procurar psicólogos que pudessem me ajudar a entender aquele caos. Deixei de ir aos lugares, nunca cogitei liberar meu filho para dormir na casa de amigos ou familiares, jamais aceitei convites de amigos para viajarmos juntos.” 

O depoimento é de Renata Reis, uma das fundadoras da Stellar, mãe de Joaquim, 5, e Luísa, 3, que descobriu que o perfil desafiador do seu filho era resultado do Transtorno de Oposição Desafiante. Ainda não se sabe exatamente quais as causas do TOD, mas estudiosos acreditam que o transtorno possa ser uma consequência de combinações entre predisposições neurobiológicas e genéticas, fatores de risco psicológicos e disfunções no ambiente social ou familiar. Apesar de maior prevalência no sexo masculino, não se sabe se os meninos são geneticamente mais predispostos ou se isso seria resultado do subdiagnóstico em meninas. 


Assim como muitas mães, Renata questionava se o comportamento era comum para a idade, “birra” ou simplesmente para “chamar a atenção”. Tudo era motivo para um surto: desde o cadarço do tênis até a escolha da cueca. Assim como outros transtornos e condições, o TOD ainda é pouco conhecido. No geral, essas crianças são tidas como mais desafiadoras, vingativas ou, simplesmente, crianças “difíceis”. 

Onde foi que eu errei?

Aos pais, fica aquela sensação de não estarem educando como deveriam. “Até o diagnóstico, me questionava muito se eu estava fazendo as coisas certas, se era uma boa mãe”, diz Renata, que chegou a fazer curso com educadora parental para entender se o comportamento do filho era reflexo da sua criação. “Muitas educadoras parentais batem firme na tecla que o comportamento da criança é reflexo dos pais e do ambiente em que ela está inserida. E eu concordo totalmente com isso, no entanto, nem sempre é só isso. Eu fiz curso para entender melhor as emoções e os comportamentos dos meus filhos e como me autorregular para encontrar formas de ser mais assertiva na minha criação. Sem dúvidas, foi muito importante e me fez uma mãe melhor. Mas, no meu caso, realmente tinha algo além para ser olhado”, diz Renata. 

Diagnóstico: medo e um alívio ao mesmo tempo

Nos últimos anos, com os avanços da ciência e das pesquisas nas áreas da neurologia e psicologia, estamos nomeando as condições e os transtornos. E saber que uma criança “difícil” pode ser uma criança que precisa de atenção especial por ter alguma condição ou transtorno é, ao mesmo tempo, uma descoberta que gera medo do desconhecido, e um alívio por, finalmente, começar a encaixar as peças deste complexo quebra-cabeças do qual tantas famílias se identificam. “Vivi essa sensação de alívio após o diagnóstico do meu filho, porque finalmente eu sabia o que precisava ser feito e como ajudar. Procuramos uma psicóloga especializada e, desde então, estamos tendo progressos.” 

E como nasce uma mãe, nasce uma culpa, Renata conta que se não houvesse esse diagnóstico, iria continuar achando que o comportamento do filho era mesmo consequência de não estar sendo uma boa mãe. “Tive dois filhos, um muito próximo do outro, e sempre pensava não ter dado conta de dar a devida atenção aos dois e educar como deveria”, confessa.

Quando desconfiar que há algo a mais?

O Transtorno de Oposição Desafiante faz parte dos Transtornos de Comportamento Disruptivos da infância, e é descrito também no manual estatístico de diagnósticos de doenças mentais, usado por psiquiatras e psicólogos. “Por definição, o diagnóstico de TOD só é dado se a criança apresenta quatro sintomas descritos no manual: padrão de humor raivoso/irritável, de comportamento questionador/desafiante ou índole vingativa. E é preciso que esses sinais estejam presentes a, pelo menos, seis meses”, conta a psicóloga especialista em neuropsicologia, Lais de Oliveira, da clínica Empatheia, em São Paulo. 


Entre as características mais comuns, são crianças que, propositalmente, são malvadas; culpam outras pessoas por seus comportamentos; perdem a calma com bastante facilidade; e, devido a serem mais sensíveis, demonstram uma reação muito grande comparada à situação; e questionam frequentemente as figuras de autoridade – seja em casa ou na escola. Resumidamente, são crianças que, o tempo todo, querem desafiar e disputar pelo poder. 


No caso de Renata, o comportamento desafiador do filho começou quando sua caçula nasceu. “Até então, Joaquim era um anjinho. Sabe aquelas crianças fofas que todos dizem: “nossa, que sorte a sua”? Pois é. Quando ele completou 1 ano e 10 meses, a Luísa nasceu. Eram dois bebês querendo a mãe, e ele começou a bater nela. A partir de então, o comportamento foi se intensificando. E eu tive muita certeza que ele precisava de ajuda quando outras pessoas começaram a me falar sobre a dificuldade dele seguir regras na escola, no judô, na natação”, relembra. 


O TOD pode ser diagnosticado em qualquer idade, sendo mais comum após os quatro anos, especialmente em idade escolar, entre 6 a 8 anos, podendo, inclusive, aparecer ou se intensificar na adolescência. 


Veja na tabela abaixo algumas diferenças da “birra” para o TOD


Onde buscar ajuda?

Se você chegou até aqui e está se reconhecendo na história de Renata, ou percebeu que sua criança soma ao menos quatro sinais listados acima, saiba que há tratamentos que possibilitam mais qualidade de vida tanto aos pequenos quanto à família, que costuma sofrer bastante com o comportamento dos filhos. “Na psicoterapia voltada para essa necessidade, trabalhamos habilidades sociais e de autorregulação. Os estudos mostram que quem tem o transtorno tem um déficit na capacidade de se colocar no lugar do outro e dificuldade de controlar os impulsos. Então, a psicoterapia vai trabalhar tudo isso”, esclarece a especialista no atendimento de crianças com neurodiversidade. 


Na psicoterapia, as crianças são ensinadas a indicarem suas emoções e em quais contextos esses comportamentos desafiadores aparecem com mais frequência. A partir daí, os psicoterapeutas mostram as consequências dos comportamentos e como a criança pode responder de maneira diferente para que tais consequências sejam melhores para ela e para os outros. “Ensinamos também ela a se colocar no lugar do outro, indicando as emoções dos outros em figuras, desenhos e vídeos. Usamos ainda jogos e outros recursos que simulam o que a criança responderia em diversos cenários, mostrando para ela que existem outras formas melhores de se comportar e que isso será bom para ela”, conta Lais. Há também estratégias para a autorregulação, ou seja: a partir da identificação das emoções em determinados contextos, a criança é levada a pensar no que poderia fazer para não agir de forma opositora ou desafiadora. E, claro, a família também recebe orientações para lidarem de forma mais assertiva com a criança. 


Como ficou claro aqui, não é um caminho fácil e também não há fórmula mágica para mudar o comportamento. Mas com atenção aos sinais e tratamento com profissionais sérios e qualificados, é possível amenizar os sinais e fazer com que todos tenham uma vida mais leve e feliz. 


Nós, de Stellar, esperamos ter ajudado você com essas informações. E se houver mais alguma dúvida, escreva para nós aqui nesse post

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