Quem somos

Família

Não vai encomendar um irmãozinho para o seu filho?

Família

Não vai encomendar um irmãozinho para o seu filho?

Nunca se viu tantos filhos únicos e o desejo pelo adiamento da maternidade. Entenda o que há por trás desse fenômeno e aprenda com a nossa estrela-convidada psicóloga perinatal e parental Patrícia Wolff Müller, como lidar com a pressão social por mais filhos

15/09/2022

Poucas mudanças de comportamento social são tão significativas em poucas décadas quanto a redução no número de filhos. Segundo dados do The World Bank e Ministério da Mulher, da Família e Direitos Humanos, em 1960, a média de filhos por mulher brasileira era de 6,28. Em 2020, esse número caiu para 1,53, uma queda bastante acentuada. O Brasil, no entanto, está longe de ser exceção na redução na taxa de natalidade. Em todo o mundo, dados mostram uma média de 2,40 filhos por mulher. 

O número de mulheres que não desejam ser mães, ao menos pelos próximos 5 anos, aumentou: Um estudo realizado e 2020 pela pela Bayer, Federação Brasileira de Ginecologia e a Think about Needs in Contraception (TANCO) ouviu 1.113 mulheres brasileiras de 18 a 49 anos, e 81% delas não desejam ter filhos nesse período. 

O que está por trás dessa queda?

Entre as principais motivações que levam as brasileiras a desejarem cada vez menos filhos – e mais tarde – estão: o desejo de ter a casa própria, a profissão e a estabilidade financeira, segundo apontou um levantamento do Datafolha, que pediu aos entrevistados que atribuíssem notas de 0 a 10 para suas prioridades. Ter filhos ficou atrás apenas do desejo pelo casamento, garantindo o penúltimo lugar na lista de prioridades. “Os tempos mudaram, a sociedade mudou, a cultura e o papel da mulher nesses âmbitos também. Antes as mulheres estavam mais restritas ao trabalho doméstico e cuidados dos filhos. A criação e acesso à pílula e outros métodos contraceptivos deram às mulheres poder de decisão se querem ter filhos e quantos querem. Assim como o acesso à informação é maior hoje. Os movimentos feministas no mundo favoreceram essas transformações e que as reivindicações fossem ouvidas”, pontua a  psicóloga perinatal e parental Patrícia Wolff Müller, mestre em Psicologia Clínica pela UNISINOS.

Paralelamente à redução no número de filhos e do desejo de ter um herdeiro em casa, o adiamento da maternidade tem se tornado cada vez mais comum: segundo o Sistema de informações sobre nascidos vivos do Ministério da Saúde, o número de mulheres que tiveram filhos entre os 35 e 39 anos aumentou em 71% nos últimos 20 anos. De 2015 para cá, 30% dos bebês têm mães nessa faixa etária. Uma década atrás, apenas duas em cada dez crianças eram filhos de mães com mais de 35 anos. Sendo mães nessa faixa etária, a tendência de ter um segundo filho também é muito menor.

A pressão pela maternidade e a cobrança por mais filhos

Apesar de todas essas importantes mudanças sociais, que justificam a queda e o adiamento, por si só, ainda há muita pressão por parte de familiares e da própria sociedade para que os casais tenham filhos. E quando chega um bebê, não demora para que logo perguntem quando virá o irmãozinho. Mas afinal, porque em pleno século 21 ainda existe tamanha cobrança? “Essa pressão está relacionada à preservação da espécie e da família, mas muito mais associada ao mito, embora já ultrapassado, de que a mulher somente encontrará a plenitude e realização pessoal sendo mãe”, diz a psicóloga. 


Ainda existe no imaginário popular velhas crenças sobre ser mãe e pai de filhos únicos e sobre os próprios filhos únicos. Mas será que dar um irmão ao primogênito é uma motivação genuína e que se sustenta? E quem garante que tendo mais de um filho, os pais terão com quem contar quando estiverem idosos? Não seria uma “carga” de expectativas muito pesada esperar tudo isso de um filho? “Precisamos entender que o mais sadio, no sentido do que se espera de um desenvolvimento saudável e normal, é os pais e a família não depositarem uma missão a esse filho que pode ou não vir. O filho não precisa ser aquilo que os pais esperam dele. Claro que todos criam expectativas, sonhos, desejos para esse filho, mas o que se espera é que ele cresça, se desenvolva e seja uma pessoa independente com sua própria vida e escolhas”, reflete Patrícia Müller.

É cada uma…

Stellar levantou as principais crenças e frases que os pais de filhos únicos mais ouvem, e pediu à psicóloga perinatal e parental Patrícia Wolff Müller, para comentar cada uma delas. Dá só uma olhada:

  1. E o próximo, quando vem?

Quando se trata de gravidez e filhos, é como se fosse de domínio público onde todos dão palpites, criticam ou sugerem o que deve ser feito. Ter um, dois, três ou nenhum filho deve ser um desejo discutido pelo casal. Para se livrar de perguntas desse tipo, sugiro apenas sorrir e acenar, rs.

  1. Você não tem dó dele ficar sozinho? 

A decisão de quantos filhos, quando e qual será o papel deles cabe aos pais e mais ninguém. Pertence à vida privada desse casal e dessa família, que certamente são as pessoas que mais querem o bem do filho. Ter vários filhos, afinal, não é garantia que serão unidos. Quantas famílias numerosas têm vários irmãos que passam anos sem se falar? Com certeza você conhece alguma, não é mesmo?!

  1. Filho único é sempre mais mimado e egoísta

Isso tem muito mais a ver com a forma como os pais se relacionam e educam a criança do que com a quantidade de filhos. Sem falar que hoje em dia, muitas crianças entram ainda bebês na escola e convivem em grupo desde muito cedo. Essa convivência contribui para o desenvolvimento da noção de regras e relações interpessoais de acordo com a idade, por exemplo.

  1. Quem tem um não tem nenhum 

Cada filho conta. Cada filho é uma relação única. Essa é, sem dúvida, a frase mais agressiva que pais de filhos únicos podem ouvir. Se acontecer com você, deixe entrar por um ouvido e sair pelo outro. Não vale nem a pena dar atenção a isso.

  1. Mas vai ser muito pesado para o seu filho cuidar de vocês sozinho…

Tem uma expressão muito comum que diz: “Criamos filho para o mundo”. E é esse o papel dos pais e dos filhos. Os pais têm a responsabilidade de cuidar, dar condições para que o filho se desenvolva de forma sadia e adequada para que na vida adulta possa ser independente e fazer suas escolhas. Ao filho cabe cuidar dos pais, mas ele não é obrigado a abrir mão de suas conquistas para se dedicar a eles. Uma relação amorosa e de respeito é o que se deseja.

  1. Preocupação financeira? Bobagem! Onde come um, comem dois… 

Hoje em dia há mais consciência do que se precisa para ter um filho e com isso adequar suas vidas e suas escolhas. Acredito que essa frase era dita quando não se tinha conhecimento apropriado sobre planejamento familiar e os filhos vinham sem qualquer planejamento, sendo que muitas vezes os pais se sacrificavam para poder dar conta da prole.

Como plataforma de conteúdo e consumo consciente, nós da Stellar, desejamos que suas escolhas sejam sempre guiadas pela consciência e te tragam leveza e felicidade. Seja você mãe ou pai de um ou mais filhos, ou até mesmo alguém que está pensando se deve ou não optar pela maternidade ou paternidade. Porque afinal, o que vale mesmo é saber cultivar as relações, sejam elas com quem forem! Essa é a nossa constelação e estamos muito felizes por ter você aqui!

compartilhe esse carinho

Você também vai gostar de ver

25/03/2024 • Designers

Organização, sustentabilidade e design: leve na mala os organizadores de roupas, brinquedos e acessórios.

ver artigo completo
20/03/2024 • Designers

Cosméticos em Barra Palma: zero resíduos e 100% ativos do Cerrado

ver artigo completo
02/03/2024 • Saúde e bem-estar

Por que o olfato e o paladar mudam durante a gestação?

ver artigo completo
29/02/2024 • Saúde e bem-estar

Dicas para uma introdução alimentar de qualidade

ver artigo completo
Ver mais publicações

Nossos temas favoritos

[optin-monster-inline slug="ecs7dujpozunqs1bing6"]

Desenvolvido por: