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As mulheres estão exaustas! É tempo de Direitos Descansistas

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As mulheres estão exaustas! É tempo de Direitos Descansistas

Criado pelas pesquisadoras Thais Fabris e Maira Blasi, o manifesto tem como meta melhorar o bem-estar feminino, para que cada vez mais mulheres, que somam muitas jornadas de trabalho, consigam descansar em paz

19/06/2023

Criado pelas pesquisadoras Thais Fabris e Maira Blasi, o manifesto tem como meta melhorar o bem-estar feminino, para que cada vez mais mulheres, que somam muitas jornadas de trabalho, consigam descansar em paz

Cada vez mais lemos e ouvimos falar sobre as diversas pesquisas que comprovam o quanto o sono e o descanso são fundamentais para a saúde física e mental. Mas você já parou para pensar que as mulheres e, especialmente, as mães, quase nunca descansam? 

Vamos aos fatos? A mulher saiu para o mercado de trabalho, mas não deixou de acumular as funções da casa e dos cuidados com os filhos e familiares. O resultado é uma exaustão extrema que toma conta de grande parte de nós. Você sabia, por exemplo, que as mulheres dedicam 73% mais tempo que os homens às tarefas do cuidado? Que as mães ocidentais dedicam o dobro de tempo aos filhos, em comparação à década de 60, quando as mães não trabalhavam fora?

As mulheres são também mais suscetíveis à Síndrome de Burnout nos ambientes de trabalho: de acordo com a consultoria McKinsey, em 2021, 35% dos trabalhadores homens relataram sofrer de burnout, enquanto entre as mulheres o índice chegou a 42%.

Poderíamos passar horas aqui apontando dados e pesquisas que mostram a urgência de olharmos com mais atenção para as mulheres e mães. Mas sabemos que seu tempo é precioso, então, vamos logo ao que interessa: como começar a mudar esse cenário e ter tempo para viver melhor? Boa parte dessa resposta está na Declaração pelos Direitos Descansistas, um projeto que é fruto do trabalho de duas pesquisadoras exaustas: Thais Fabris. Em entrevista à Stellar, Maira contou que o manifesto partiu do próprio cansaço dela e da Thais: “Especialmente após a pandemia, quando o mundo voltou, pensamos: não dá pra tratar esse momento com naturalidade, como se nada tivesse acontecido, querendo correr atrás do prejuízo. Quase morremos”, conta. Assim como muitas de nós, elas ansiavam viver melhor a vida, aproveitar mais os momentos, mas como fazer isso se não havia energia, se estavam exaustas? “Foi quando passamos a perceber que esse cansaço não era algo particular e individual, é coletivo. E afeta muito mais as mulheres. Percebemos que não era sobre autocuidado, skincare e meditação. E para conseguir descansar fomos pesquisar bastante antes. Nos deparamos com muitos dados interessantes e, assim, nasceu esse report como forma de consolidar essas pesquisas e propor mudanças” conta a pesquisadora, que é também fundadora da consultoria Subversiva.


O objetivo do manifesto é melhorar o bem-estar feminino a partir de um olhar sobre a importância do descanso, que, aliás, é um direito garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, pela Constituição Federal e a CLT. Só mais uma ideia do quanto o trabalho do cuidado invisível e invisibilizado das mulheres é importante e, ao mesmo tempo, ignorado: a mão de obra de meninas e mulheres em tarefas como cuidar de crianças e idosos, cozinhar, limpar, lavar e buscar lenha e água representa uma contribuição de, pelo menos, US$ 10,8 trilhões por ano à economia global. Isso é equivalente a três vezes o valor da indústria de tecnologia no mundo. Resumindo: se as mulheres pararem, o mundo para. Chocante, não é?! As mulheres estão cuidando de tudo o de todos, mas quem está cuidando delas?

Existe solução?

Existe e ela não é apenas uma escolha pessoal. Passa pela mudança de uma estrutura de base, que envolve, entre outras coisas, machismo, resistência da mentalidade capitalista e uma bagagem cultural de exploração. Obviamente, não é nada fácil resolver o problema. Mas, de alguma forma é preciso dar os primeiros passos. E a Declaração dos Direitos Descansistas elencou os 10 direitos fundamentais para virar esse jogo. O report pode ser acessado na íntegra aqui

Trouxemos para cá alguns direitos que consideramos fundamentais:

Redução da jornada de trabalho: para descansar é preciso tempo, por isso o manifesto reivindica a semana de trabalho de 4 dias. E já tem diversas empresas ao redor do mundo testando esse formato. No Reino Unido, 61 empresas de diversos setores, somando quase 3 mil colaboradores, participaram do teste que reduziu a jornada para 4 dias sem interferir no salário. O resultado foi um sucesso: 91% das empresas que participaram da experiência de seis meses querem manter o modelo.

Pais presentes, mães descansadas Impossível falar no descanso das mães sem o envolvimento dos pais. Mas como equilibrar essa balança se a licença-paternidade tradicional é de apenas 5 dias? É preciso ter uma licença maior para os pais também. 

Metas corporativas sustentáveis Quem nunca se deparou com metas cada vez mais inatingíveis? É preciso repensar o que realmente faz sentido.

Reconhecimento do trabalho do cuidado Enquanto não atingimos a paridade salarial e de divisão de tarefas, é urgente reconhecer e remunerar o trabalho do cuidado. 

Criar crianças é um trabalho do coletivo Estamos cansadas de ouvir que é preciso uma vila para criar uma criança, mas estamos falhando enquanto sociedade depositar o peso do cuidado nas costas das mães.

Enquanto os dias de glória não chegam…

Faça a sua parte no dia a dia, ouvindo seus limites e incluindo na rotina pequenas atitudes de autocuidado e bem-estar. Algumas sugestões do manifesto, são: 

  • Não responder imediatamente às mensagens do whatsapp;
  • Fazer pausas das redes sociais;
  • Dançar consigo mesma em casa;
  • Fechar os olhos por dez minutos e se permitir não fazer nada, apenas sentindo a respiração

Vamos combinar: só de pensar nessas ações, dá até um quentinho no coração, não é mesmo? Não hesite em pedir ou aceitar ajuda para o cuidado da casa e dos filhos. A sua saúde agradece. E já sabemos que mães felizes e descansadas criam filhos mais felizes. Então, bora tirar essa capa de mulher-maravilha, de guerreira que dá conta tudo? Estamos juntas nesse manifesto pelo direito ao descanso. Vamos juntas!

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