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Vi o real amor de mãe quando, logo após o nascimento, precisei me despedir do bebê esperado para receber meu filho real, com Síndrome de Down

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Vi o real amor de mãe quando, logo após o nascimento, precisei me despedir do bebê esperado para receber meu filho real, com Síndrome de Down

Nossa estrela-convidada, Roberta Brasil Cintra, conta como é viver intensamente suas duas maiores paixões: o direito e a maternidade. Conheça a mãe do Antonio e do David, que chegaram para dar ainda mais sentido e brilho a essa família linda

06/05/2022

“A maternidade foi muito impactante para mim desde o nascimento do meu primeiro filho. Olhando para as minhas amigas, eu acho que posso dizer que demorei para casar. Risos…. Eu me casei com 35 anos quando senti que havia encontrado a pessoa certa ou quem sabe porque sempre fui muito dedicada à minha carreira. Ou quem sabe os dois? E como ser mãe sempre foi algo que eu desejei, não esperei muito para começar as tentativas de engravidar. Aos 37 anos descobrimos a gravidez do Antonio, que nasceu quando eu estava com 38. Nas primeiras horas após o nascimento dele, tive o primeiro impacto que mudou minha vida e me mostrou a real dimensão do amor de mãe: recebi a notícia que, possivelmente, ele tinha Síndrome de Down. 


Diferentemente de todas as pessoas ao meu redor, eu evitei chorar e pedia que a família não chorasse. Fiz questão de lembrar que aquele momento não era de um enterro e sim de um nascimento. Eu só pensava em receber meu filho com todo o amor de mãe. E esse amor já mudou tudo! Fiquei sim impactada com a descoberta e senti tristeza, mas eu não queria que aquele momento da chegada do Antonio se tornasse algo mais sofrido que acolhedor, afinal, os bebês sentem tudo o que sentimos. Ter de acomodar esse impacto de uma hora para outra não foi algo fácil. Passei a gestação inteira me preparando para receber um bebê, mas eu não tive preparação alguma para receber o meu filho real, o Antonio que tinha Síndrome de Down. Precisei me despedir, ali mesmo, do bebê que eu idealizava. Não houve ensaio. 

Minha gestação inteira foi muito saudável e não havia indicativos que apontassem para alguma síndrome. Sempre fui saudável, era triatleta e maratonista. Nadei mil metros na véspera do nascimento do Antonio, que foi um belo parto normal com mais de 40 semanas. Com a descoberta da Síndrome de Down, vieram várias preocupações: eu tinha os momentos de tristeza, mas precisava cuidar do meu bebê. As vezes sentia como se eu tivesse tido filhos gêmeos e um deles não estava mais entre nós. Foi mesmo um pouco confuso, mas com o tempo, consegui identificar bem o que senti. O autoconhecimento teve e tem um papel muito grande na minha vida e do meu marido. Estudamos numa escola de autoconhecimento que nos deu muita base para lidarmos com os desafios. 


Obviamente, isso não significa que não sofremos, choramos e tivemos momentos difíceis. Claro que tivemos. Mas tudo isso ficou amenizado pelo amor que sentia pelo Antonio e pela minha preocupação de cuidar e dar tudo o que meu filho precisava: Antonio nasceu com um problema no coração, passou 11 dias na UTI e, após seis meses, realizou uma cirurgia que inevitavelmente precisaria parar o seu coraçãozinho de seis centímetros para ser operado. Então, eu sentia que não havia muito tempo para sofrer, eu precisava cuidar com amor do meu bebê. Por outro lado, também não posso deixar de dizer que eu estava muito encantada com o meu filho, apesar de todas as preocupações que envolvem ter um filho com Síndrome de Down. 


Segundo filho – e se pudesse teria outros

Um ano após o nascimento do Antonio engravidei novamente. E o amor só foi aumentando. Foi maravilhoso quando chegou o David, nosso caçula. E posso dizer? Queria ter mais filhos, mas para o meu marido, dois estava de bom tamanho. Risos…

Quando as minhas duas paixões se juntaram – o direito e os meus filhos – a minha vida ganhou ainda mais sentido e ficou mais completa. Acredito que, talvez por eu ter sido mãe mais velha, eu tive um outro olhar com o tempo de dedicação a essas duas paixões, tentando sempre equalizar ao máximo o meu tempo. Aliás, algo que mudou muito depois que eu tive os meninos foi a equalização do meu tempo. Existe o tempo do trabalho e o deles. E cada mulher tem a sua medida. Não dá para colocar uma regra nisso. Eu converso com meus filhos sobre isso também. Uma vez perguntaram para o David o que os pais dele faziam. E ele respondeu que o pai era dentista e que a mãe trabalhava muito! Risos… Precisamos ter um novo olhar para essas questões de carreira e maternidade/paternidade. Porque homens e mulheres trabalham. E homens e mulheres têm filhos. E deveria ser naturalizado que o cuidado é dos dois e sem essa coisa do peso da culpa, cada família com o seu combinado. 


Culpa materna? Não tenho

Eu trabalho muito mesmo. Mas há tempos deixei de ter culpa. Faço questão de contar para o Tom Tom e o David que a mamãe deles trabalha muito porque ela ama o que faz. Porque isso a faz mais feliz. E se a mamãe estiver feliz ela vai voltar para casa animada com tudo o que está realizando. Eu deixo claro para eles que a mamãe não trabalha “para pagar isso ou aquilo”. Acho que a criança não tem repertório para entender esse discurso, se você fala para criança que está trabalhando para conseguir viajar ou para comprar isso ou aquilo, você corre grande risco de ela falar: “Não quero essas coisas, quero você aqui”. E ao saberem que o trabalho me traz felicidade, isso também irradia neles e ainda passa a ideia que é importante nos realizarmos no nosso trabalho, acima de ganhar dinheiro. O tempo que temos juntos é de muita qualidade, de olho no olho, de atenção total a eles. Meditamos juntos e conversamos muito. 

Sei que não é fácil, especialmente nos dias de hoje, em que há tantas atividades para as crianças fazerem e tudo mais. E também sei que para quem não tem o seu próprio negócio e não tem flexibilidade de tempo, não é nada fácil. Mas eu acho que o “pulo do gato” é conversar com a criança e entender o que ela está sentindo, o que está incomodando e o que ela gosta. De tempos em tempos eu faço o “Quem sou eu” com meus filhos: pergunto o que eles mais gostam na mamãe, o que eles não gostam. E eles me dão o melhor feedback da vida. Eu sei que o fato de eu trabalhar bastante é (e sempre será) um ponto de atenção. Eles querem a mãe mais com eles, então sempre fico mais atenta a isso. Sei que, às vezes, preciso focar mais no escritório e o outro pratinho acaba caindo. Mas depois volto e tento equalizar e dar mais atenção a eles. É uma montanha-russa diária, tentando equilibrar trabalho e maternidade. 


Um escritório de advogadas

É assim que descrevemos o nosso escritório e, a princípio, ter um escritório apenas de mulheres não foi algo pensado ou programado. Foi sentido. Quando fundamos o escritório, o nosso discurso acabou atraindo mulheres empresárias e empreendedoras. E assim cresceremos no mundo do direito empresarial e na área de moda. Percebemos que a forma de atender da mulher tem um cuidado a mais – claro que existem exceções – mas isso foi ficando claro no DNA do escritório. E não existe a Roberta mãe e a Roberta advogada. É tudo uma coisa só. Por tudo isso, recentemente nós mudamos o nome do escritório para escritório de Advogadas. E já tem um tempo que só contratamos mulheres. Atendemos clientes homens, claro, mas temos muita sinergia com as empresas que são lideradas por mulheres. E tem muito do feminino e da maternidade na forma de falar e de cuidar do cliente, o que nos enche de orgulho.”

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