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Como funciona o congelamento de óvulos?

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Como funciona o congelamento de óvulos?

Em parceria com Aline Dini, jornalista e idealizadora da plataforma Mãe aos 40, exploramos o adiamento da maternidade e o papel do congelamento de óvulos neste cenário

29/04/2022

Ter ou não ter filhos agora? Cada vez mais mulheres se fazem essa pergunta. E em meio a tantos planos e realizações, a tendência é que a maternidade seja adiada. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que entre 2009 e 2019, houve um crescimento de 63,6% entre o número de mães na faixa etária de 35 a 39 anos. E para as com idades entre 40 e 44 anos, a alta foi de 57% no mesmo período. Os partos entre jovens, por outro lado, caíram 23% (até 19 anos) e 8,4% nas mulheres entre 20 e 29 anos.


O grande desafio desse adiamento é que aumenta bastante  a probabilidade de que uma parte dessas mulheres precisarão recorrer a tratamentos, muitas vezes de alta complexidade, para conseguirem engravidar, caso da Fertilização in Vitro, e, ainda assim, podem encontrar um longo caminho de ciclos de FIV pela frente. Muitas mulheres na faixa dos 40 anos ou mais terão indicação de recorrer ao tratamento com óvulos mais jovens – via ovorecepção. E enfrentar todos esses desafios pode ser bastante complicado.

…a busca pela chamada “preservação da fertilidade” aumentou com o cenário de grandes incertezas trazido pela pandemia.

Sabendo disso e com a incerteza sobre quando ser mãe, cada vez mais mulheres têm optado pelo congelamento de óvulos. A técnica ficou ainda mais conhecida durante a pandemia e estima-se que na região sudeste do Brasil, por exemplo, o aumento no número de congelamentos tenha sido de até 50%. A elevação na taxa, no entanto, não é exclusividade do Brasil. Globalmente, a busca pela chamada “preservação da fertilidade” aumentou com o cenário de grandes incertezas trazido pela pandemia. A revista norte-americana Time publicou um artigo onde cita um aumento médio de 50% no congelamento de óvulos no comparativo de 2019 para 2020, em clínicas dos Estados Unidos.


Por aqui, algumas celebridades contribuíram para que o assunto se tornasse mais conhecido, como as atrizes Paolla Oliveira e Mariana Ximenes, a jornalista Fernanda Gentil, a cantora Paula Fernandes e a médica e ex-BBB Telminha.

Como funciona o congelamento de óvulos?

Quem vai nos ajudar a entender os detalhes da técnica é a ginecologista e especialista em reprodução assistida Simone Mattiello, da Clínica Nilo Frantz, um centro especializado em Reprodução Assistida. Vamos para o passo a passo?


1º Passo: O processo todo começa no início do ciclo. No segundo dia da menstruação, é feito um ultrassom para ver como estão os ovários e os folículos, que são as “casinhas” dos óvulos. Esses folículos são contados para ajudar o profissional a entender qual será o possível potencial de resposta. Quanto mais nova é a mulher, maior a quantidade de folículos. Nessa fase de entendimento do caso, além desse ultrassom para contagem de folículos, também é comum o pedido do exame antimulleriano, feito com a dosagem sanguínea e que dá uma estimativa da reserva ovariana. Só então é montado o protocolo de estimulação ovariana.


2º Passo:
Entram em cena as medicações injetáveis com indutores hormonais, que devem ser aplicados diariamente na região próxima ao umbigo, ao longo de 10 a 11 dias. Elas contam com hormônios como os produzidos pelo organismo e farão aquele grupo de folículos se transformar em óvulos maduros. Ao longo desse período de uso das injeções, o amadurecimento dos folículos é acompanhado com ultrassons seriados, para monitorar a melhor hora de fazer a coleta, que geralmente acontece após dois dias dessa identificação.


3º Passo:
Agora é hora da coleta dos óvulos que amadureceram. Ela é feita via vaginal, com uma cânula que aspira esses óvulos. Nesse momento, a mulher não vê nada, pois estará sob os efeitos de uma sedação.


4º Passo: Terminado o procedimento, a mulher fica em observação por cerca de 1 hora e, no laboratório, os óvulos captados são congelados para o futuro.


O que muda no congelamento de óvulos após os 35 anos?

O que acontece é que com o passar dos anos, a quantidade e a qualidade de óvulos diminui. A qualidade tem a ver com a capacidade de formar óvulos geneticamente saudáveis. “Por exemplo: ao congelar 10 óvulos antes dos 30 anos de idade, há cerca de 70% de chances de ter um bebê nos braços. Aos 37 anos, essas chances caem para 55%; aos 39 anos a expectativa é de 40%; aos 42 anos, ela cai para 18%. E esse declínio está relacionado à idade. Então, quanto mais avança a idade, mais óvulos serão necessários para chegar a um embrião saudável”, esclarece Dra. Simone Mattiello. Por isso, após os 35, 37 anos, pode ser preciso fazer mais de uma coleta para conseguir um número mínimo esperado de óvulos com chances de se tornarem um embrião “cinco estrelas”. Nesses casos, como são duas coletas em momentos diferentes e é preciso repetir todo o processo descrito acima, os custos são dobrados.

Os óvulos perdem qualidade ao serem congelados?

O processo de vitrificação nada mais é do que um congelamento que acontece de forma ultrarrápida. E é graças a isso que não se perde qualidade ao congelar. “Antigamente, quando não tínhamos essa técnica mais sofisticada, o congelamento era bem mais lento e isso fazia com que o óvulo pudesse absorver líquido, explodindo”, conta a especialista. Atualmente a expectativa de resgate dos óvulos é muito boa: ficando entre 70% a 80% da mostra de óvulos captados intacta após o descongelamento. Vale lembrar que o processo acontece em forma de funil: dos óvulos descongelados, há os que vão sobreviver; dos que sobrevivem, há os que vão fertilizar; e dos que fertilizam há os que vão chegar a blastocisto (embrião no quinto dia de desenvolvimento).

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