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Cidadã do mundo e a missão de criar três brasileirinhas

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Cidadã do mundo e a missão de criar três brasileirinhas

Diretora financeira da Coca-Cola e radicada em Londres, Clara Leal já mora fora do Brasil há anos. Para ela, falar apenas em português com as três filhas é a porta de entrada para manter a cultura brasileira viva nelas. Ela não abre mão disso, mesmo com muitos desafios.

07/03/2022

A cidadã do mundo


Já passei metade da minha vida fora do Brasil e me considero exatamente assim: uma cidadã do mundo. Conheci meu marido inglês quando fazia um MBA na London Business School. Namoramos, formamos nossa família e nossas filhas nasceram nos Estados Unidos e na Inglaterra, onde moramos atualmente. 


Desde que elas nasceram, já moramos em três países diferentes. E é muito rico viver tantas experiências culturais diferentes, mas, eu sempre soube que mostrar as origens brasileiras para elas era algo de muito valor. E foi essa consciência que fez com que eu sempre falasse em português com todas elas, desde o momento de seus nascimentos. A mais velha, Camilla, está com 8 anos, Anna, a do meio, com 5 e Luísa, a caçula, tem apenas 4 meses.


Ter isso como uma missão fez e ainda faz muito sentido para mim. Primeiro, porque naturalmente o meu instinto foi falar a minha língua “mãe”, que é a mais íntima para mim, e elas são as pessoas mais importantes da minha vida. Segundo, porque eu morei nos Estados Unidos dos sete aos 14 anos e senti na pele como é importante manter a língua e a cultura ativas na criação. E eu entendo que quando isso não é feito desde de o primeiro momento, as chances de a criança se tornar apenas cidadão do seu meio, sem incorporar aspectos da sua herança cultural, são grandes. 

Brasilidade


Valorizo muitos aspectos da cultura brasileira: o humor, a alegria, a garra, as nossas festas, as amizades e o aspecto informal e feliz do dia a dia. Sem romantizar, é claro! Temos momentos tristes, mas existe uma energia boa, aquela brasilidade que só quem nasceu no Brasil sabe. E falar com as minhas filhas em português é como se fosse a porta de entrada para apresentar isso tudo citado acima.


Muito além da comunicação e da expressão, é a forma que encontrei de me sentir “em casa” e fazer com que as meninas também sintam isso quando visitamos o Brasil. É como se estivéssemos à vontade na própria pele, sabe?


Me traz aquela importante sensação de pertencimento. Se sentir à vontade em um lugar que você pertence, de certa forma, para mim é a maior validação que elas seguirão a vida dizendo que são britânicas e brasileiras.


Muito além da comunicação e da expressão, é a forma que encontrei de me sentir “em casa” e fazer com que as meninas também sintam isso quando visitamos o Brasil. É como se estivéssemos à vontade na própria pele, sabe?

Os desafios para manter a língua “mãe”


Tudo isso que contei até agora é super importante. Mas eu estaria mentindo se dissesse que é fácil, já que exige bastante dedicação e paciência para sair do modo automático de conversar com todas as pessoas do país em que se vive para falar outra língua dentro de casa.


Eu, como guardiã da língua minoritária, estou sempre corrigindo, repetindo, exigindo que elas saiam da zona de conforto. Requer também a necessidade de incorporar outros aspectos, como babás brasileiras, aulas de português todo sábado com outras crianças, chamadas de vídeo com os avós toda semana e viagens frequentes ao Brasil. Exige dedicação, tempo, energia e dinheiro para manter a língua portuguesa viva em minha família.


Também nos ajuda muito a ler diversos livros em português com temas brasileiros, como Carnaval, festa junina, folclore e a tão amada, e brasileira, Turma da Mônica. Saindo do universo das letras para a culinária, também comemos muita comida brasileira: arroz, feijão e farofa não podem faltar no cardápio! E adoro fazer amizades com brasileiros que têm filhos em idades parecidas com a das meninas para que elas vejam que existem muitas pessoas para as quais o português também é importante.

Estou sempre exaltando o nosso país: um povo guerreiro e cheio de alegria. Quando conhecemos um brasileiro faço questão de apresentar-lhes e falar sobre o Brasil com eles. A maioria dos brasileiros aqui são muito trabalhadores e cheio de carinho para dar.  É tão bom nos juntarmos e mostrarmos aos nossos filhos a alegria de poder dividir essa cultura tão rica.


Outro ponto tão importante quanto delicado é que já percebi, por exemplo, elas puxarem mais conversa com o pai pelo simples fato de estarem com o inglês muito mais desenvolvido que o português. Confesso que ver isso até dói e, por vezes, pensamos que essa escolha pela língua pode até criar um afastamento. Mas logo esse sentimento passa e quando vou ao Rio de Janeiro e vejo as meninas felizes e confortáveis, brincando e falando com todo mundo, sinto que estou no caminho certo.


E no fim das contas, também percebo que elas se sentem muito sortudas de terem duas culturas incríveis dentro de casa. Elas falam com muito orgulho sobre suas heranças e habilidades linguísticas. Um dia esperamos morar no Brasil, mas enquanto isso não acontece, seguimos criando as nossas brasileirinhas “à distância”. É preciso dizer: lindo demais vê-las absorvendo nossa cultura em um país culturalmente tão diferente. Todo o esforço vale muito a pena!

…Elas puxarem mais conversa com o pai pelo simples fato de estarem com o inglês muito mais desenvolvido que o português. Confesso que ver isso até dói…

Clara Leal

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