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A importância das amizades na vida das mães: 90% das mulheres se sentiram sozinhas depois da maternidade

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A importância das amizades na vida das mães: 90% das mulheres se sentiram sozinhas depois da maternidade

A importância das amizades na vida das mães: 90% das mulheres se sentiram sozinhas depois da maternidade diz pesquisa na Inglaterra.

29/11/2023

Os dados são de uma pesquisa realizada na Inglaterra com 2.025 mães. No Brasil, pesquisa recente mostrou que 67% das mães sofrem com uma sensação de vazio após a maternidade, sendo que 90% gostariam de sair mais com as amigas! As amizades, aliás, podem “salvar” de momentos solitários e difíceis. E quem nos conta o poder da amizade é a psicanalista e pedagoga Ana Clara Vidal, mãe do Rafael de 4 anos. Vem ver!

Ainda existe muita romantização em torno da maternidade. Mas é inegável que hoje muitas mulheres admitem que ser mãe pode não apenas ser desafiador como um processo solitário. A impressão que fica é que ter filhos faz um filtro nas amizades, já percebeu? Nem todo mundo está a fim de ouvir sobre os perrengues do puerpério. Uma pesquisa feita na Inglaterra com 2.025 mães pelo site de vídeos ChannelMum.com, mostrou que 90% das mães se sentem sozinhas desde que tiveram filhos. No Brasil, a pesquisa “Mommys e Saúde Mental” de 2022, mostrou que 62,7% das entrevistadas têm uma sensação de vazio após a maternidade. Falta companhia e sobra sobrecarga e cansaço. e também uma vontade enorme de sair com as amigas: 90% delas sentem falta disso! 

A psicanalista e pedagoga Ana Clara Vidal afirma que, de fato, a maternidade é um processo potencialmente solitário, especialmente por duas questões. “Primeiramente por questões intrapsíquicas: ao nos tornarmos mães, entramos em contato com uma avalanche de sensações e emoções muito particulares. Muitas delas são remanescentes até mesmo da nossa experiência enquanto bebês/crianças pequenas, quando nem tínhamos linguagem. Elas são muito particulares e, por vezes, nem temos palavras para nomeá-las. Daí vem a sensação de estar sozinha, de não ser compreendida. Em segundo lugar, temos as questões sociais. Há, de fato, um afastamento muito comum das pessoas ao redor, sobretudo as amizades que não estão no mesmo momento”, diz. 

É preciso uma aldeia para criar uma criança, mas na prática falta o senso coletivo…

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Se reconheceu até aqui? Esse fenômeno do isolamento e da sobrecarga é muito comum e se agrava porque no mundo contemporâneo, o cuidado com a criança é visto como algo de responsabilidade total das figuras parentais, mas considerando que boa parte dos pais não participa ativamente disso, a carga acaba recaindo sobre a mãe. “Fomos perdendo, ao longo da história, a nossa noção de coletividade. Antigamente os vizinhos e a comunidade em geral se ajudavam mutuamente. Hoje dificilmente um vizinho vai à casa de uma mãe no puerpério oferecer algum tipo de ajuda”, diz a especialista, que acompanha centenas de mães. 

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Vale lembrar, é claro, que essa valorização da rede de apoio exclusivamente familiar é bem cultural do Brasil. “Em muitos outros países não há essa atuação familiar tão próxima e é por isso que as pessoas recorrem de maneira muito natural a outros tipos de apoio. Precisamos abrir a nossa mente em relação a essa rede de relacionamento pós-maternidade. Muitas vezes, essa rede não conseguirá suprir tanto o apoio físico que a mãe precisa, leia-se: alguém para ficar com o bebê para ela sair, ajudar na arrumação da casa, dividir as  madrugadas -, mas conseguirá suprir o apoio emocional. E isso pode fazer muita diferença”, conta a psicanalista. 

Amizade boa é a que fica. Mas vale abrir espaço para as novas também!

Todo mundo sabe: amigo de verdade é aquele que compartilha alegria, tristeza e dificuldades também! E a psicanalista acrescenta a essa lista um outro tipo de amigo que vale a pena: aquele que acolhe genuinamente as nossas dores. “Boa parte das mulheres hoje chegam na clínica se queixando das pessoas ao redor estarem constantemente desvalidando ou diminuindo as suas dificuldades. Pela minha experiência, a dificuldade em si, muitas vezes, pode até ser gerenciada, mas toma uma proporção muito maior pelo simples fato de não ter sido validada por alguém. Às vezes só ouvir “eu sei que tá sendo difícil, eu vejo a sua dor” já traz uma sensação de conforto muito grande, que propicia uma organização emocional dessa mãe para ela encarar os desafios do cotidiano”, conta.

E atenção: não vale continuar a amizade, mas ser uma amizade tóxica. Fique atenta aos sinais de alerta que mostram que é hora de dar um tempo: “No universo materno, acredito que as amizades que mais causam desconforto às mulheres são aquelas em que há muita comparação e/ou crítica. É comum pacientes relatarem estarem tristes ou preocupados porque ouviram uma amiga falando que o filho faz mais coisas que os seus filhos ou que são tidas como exageradas em algum aspecto da criação. Claro que podemos aprender a lidar com essas questões de maneira sincera e sábia, para não rompermos com uma amizade de longa data, mas caso isso seja sistemático e muito difícil de administrar, a ponto de minar a saúde mental da mulher, vale reconsiderar a importância da pessoa na sua vida”, orienta a profissional.

Alguns bons motivos para que você cultive boas amizades:

Aumento da confiança A psicanalista nos lembra que a amizade remete a uma forma de comunicação íntima que não depende do uso das palavras. E isso é muito reconfortante, pois rememoramos a vivência que estabelecemos com o adulto cuidador primário, normalmente a mãe. “A mãe sabe o que o filho precisa e sente na maioria das vezes, sem que ele precise dizer, de fato. Quem tem uma amizade verdadeira sabe que isso acontece muito!”, conta. 

Resgate das brincadeiras e do relaxamento Podemos também falar da dimensão do brincar: quando vemos crianças nas suas primeiras relações sociais, percebemos que elas se conectam através da brincadeira. A brincadeira é um espaço que foge da realidade, onde a criança pode descansar nas suas fantasias. “Mantemos isso quando estamos entre bons amigos. Um espaço de brincadeira, relaxamento… Como se estivéssemos em uma dimensão paralela, que fugisse da nossa dura realidade. Rimos, somos espontâneos e alegres, sem medo. E isso é muito importante”, diz. 

Sentimento de pertencimento As amizades reforçam ainda a questão do pertencimento, mas, ao mesmo tempo, nos dão a oportunidade de lidarmos com o diferente. “Estamos inseridos em um grupo com interesses similares, mas também com suas particularidades. Essa ambivalência entre o igual e o diferente é muito enriquecedora nas nossas relações e nos ensina sobre amor, mas também sobre como lidar com raiva e frustração, por exemplo”, conclui a especialista. 

E aí: fez sentido para você? A psicanalista consultada por Stellar fez questão de reforçar durante a entrevista que seu conteúdo tem uma proposta contraintuitiva, ou seja: ela não tem a audácia de ensinar a mulher a ser mãe – ao contrário da maioria dos produtores de conteúdo materno atuais. Ana vidal acredita que diante de uma enxurrada de saberes especializados e também de palpites, é importante fortalecer o conhecimento especializado que a mãe tem sobre o seu próprio filho, construído no dia a dia da relação, dando a ela os instrumentos para que possa defender as suas escolhas com assertividade e leveza.

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