Quem somos

Saúde e bem-estar

A importância da educação sexual para as crianças

Saúde e bem-estar

A importância da educação sexual para as crianças

Crescemos ouvindo que as mulheres conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo, enquanto os homens só conseguem realizar uma por vez.

22/02/2024

Muitos pais imaginam que a conversa sobre sexualidade com seus filhos só irá acontecer quando eles forem adolescentes. Mas a verdade é que desde muito cedo é possível ensinar educação sexual nas atitudes do dia a dia. E apesar do termo “sexual” ainda intimidar muita gente – o que mostra o quanto o assunto é tabu – falar sobre educação sexual é falar sobre respeito, consentimento e ajuda a prevenir abusos e a inicialização precoce na vida sexual. Stellar convidou a pediatra Kesianne Marinho, autora do livro “A Médica e eu”, para nos ajudar a conversar sobre sexualidade com nossas crianças de maneira saudável. A médica contou que o ensino da educação sexual começa logo após o nascimento do bebê: “Toda vez que os pais vão trocar seu bebê, eles podem e devem dizer o que estão fazendo, pedindo licença para mexer no corpinho do bebê. Pode não parecer, mas frases como: “Agora mamãe vai limpar sua vulva, tirar o cocô do seu bumbum” são importantes para a construção do respeito que a criança terá desde os primeiros toques em seu corpo”, ensina. De acordo com a especialista, quando existe esse tratamento com naturalidade desde o início da vida da criança, essa naturalidade de aprendizado sobre o próprio corpo vai seguindo conforme a criança cresce. 

Cuidados especiais – introdução à educação sexual

A pediatra ensina que as áreas íntimas do corpo do menino e da menina são como outras partes do corpo humano, então o bebê ou a criança pequena não sabe diferenciar, daí o fato de precisarmos dizer a elas que aquelas regiões são íntimas e precisam de mais cuidado e privacidade. “Desde muito novinhas, podemos dizer a elas que essas áreas não devem ser expostas, que existem roupas especiais só para essas regiões do corpo, que o pênis deve ser coberto com cueca e a vulva com calcinha. E nesses momentos, também dizer a elas que outras pessoas não devem pedir para ver ou tocar essas partes, justamente porque elas são íntimas e privadas”, diz. 

A criança precisa crescer sabendo que apenas o adulto que cuida dela e é da confiança de sua mãe pode ver ou tocar nas partes íntimas, e apenas em momentos de limpeza do xixi, cocô e na hora do banho. Essa é uma forma de cuidado e prevenção de abusos e também já é o início da introdução da educação sexual da criança, de forma que ela conheça seu corpinho e saiba dar nome às partes íntimas. Isso não significa que ela saberá a respeito da função do ato sexual. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. E não se deve valorizar essa explicação na infância porque nessa fase isso não tem importância.

[vtex blocktype=”products” ids=”249″]

Dando nome às partes íntimas

É muito importante ensinar para as crianças os nomes corretos de suas partes íntimas. Ela precisa saber nomear vulva e vagina ou pênis e testículos desde novinha, pois quando damos o nome correto, damos seriedade a respeito disso. “Sempre que vou conversar sobre isso com os pais ou crianças, brinco que nunca ouvi ninguém chamar o nariz de “nanazinho” ou a orelha de “leleca”.Da mesma forma, vulva se chama vulva e não outro nome, por mais carinhoso que possa ser. É preciso tomar cuidado com nomes infantilizados porque eles tiram a seriedade quando a criança vem contar algo para os pais. Existem relatos de nomes que são dados que são muito diferentes e que o adulto não soube reconhecer o abuso que está por trás daquela mensagem. Exemplo: Meu tio pediu para pegar a minha “joia”. Quem vai imaginar que a joia é a vulva?”, alerta a pediatra. 

[vtex blocktype=”products” ids=”1639,1640″]

[vtex blocktype=”products” ids=”551,563″ vertical]

Consentimento e proteção contra abusos

A educação sexual na infância visa proteger contra abusos e ensinar a criança a se portar sobre a exposição do seu corpo, adquirindo o entendimento que ninguém pode tocar nela ou pedir para ver suas partes íntimas. Isso é fundamental, ainda mais se levarmos em conta que, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 61% das vítimas de violência sexual no Brasil têm até 13 anos e a maioria dos abusadores são familiares e conhecidos, ou seja: pessoas da confiança daquela família. Desde cedo a criança também pode e deve aprender que não é normal alguém pedir segredo sobre qualquer tipo de “carinho” recebido nas partes íntimas. “Faz parte da educação sexual na infância ensinar sobre consentimento. A criança tem o poder de saber o que ela não quer que aconteça com seu corpo. Faz parte da educação sexual respeitar quando ela não quer abraçar, beijar ou sentar no colo de outra pessoa, por exemplo. E essas atitudes jamais devem ser impostas a ela, mesmo que seja para beijar o vovô a vovó ou qualquer parente próximo”, ressalta a especialista. 

É importante que a criança tenha confiança de que não é obrigada a isso e que está tudo bem ela dizer de maneira respeitosa que não deseja abraçar, beijar ou ir para o colo de alguém. E é importante que as pessoas do convívio da família também saibam sobre esse respeito à criança e que o fato dela não querer uma proximidade maior não significa que ela não goste daquele familiar. Ela pode ser ensinada a recusar com respeito. Isso é importantíssimo. 

Não ignore as perguntas

A curiosidade e a busca por respostas e explicações são naturais da criança. Então, quando ela pergunta algo relacionado à sexualidade, é muito importante que ela não seja ignorada ou que o adulto responsável por ela mude de assunto. É possível que ao não ter a pergunta respondida, a criança continue com aquilo na cabeça e pergunte para outra pessoa, que talvez, não responda da maneira certa. “Ao receber uma pergunta “cabeluda” devolva a pergunta para a criança e pergunte porque ela deseja saber aquilo e onde foi que ela ouviu falar sobre. O que de fato é a curiosidade dela? Você deve responder de forma clara e objetiva para que ela se sinta satisfeita na sua resposta e confie em você para conversar sobre o assunto, sem ter que buscar respostas em outros lugares ou pessoas”, orienta Kesianne.

Autocuidado e autoestima estão ligados à educação sexual

A médica conta que falar sobre sexualidade contempla também o entendimento que a criança tem e terá sobre seu corpo, autocuidado e autoestima. É incentivar um olhar para a saúde e a não fazer mal para o próprio corpo. “E isso está relacionado ao seu desenvolvimento e a prevenção de distúrbios psicológicos a respeito da autoimagem e, inclusive, pode resultar nas chances de ter ou não relacionamentos tóxicos no futuro. É fundamental que os pais ou cuidadores não falem sobre características físicas que a criança tem, especialmente de maneira pejorativa ou adultizando-a”, reforça. Tudo isso é gravíssimo para a construção da autoestima e da noção corporal da criança, podendo propiciar que ela esteja mais sujeita a abusos ou que seja culpabilizada caso o abuso aconteça. “Existem pré-adolescentes, meninas de 10, 12 anos, que são expostas a relacionamentos e são julgadas como se tivessem “provocando” o abuso. Uma garota dessa idade ainda é uma criança e precisamos ter muito cuidado para não colocar na criança um comportamento que está no olhar do adulto e não no dela.”

A hora de falar de sexo: sim ela vai chegar!

Quando as crianças estão passando pela puberdade, elas estão recebendo uma série de hormônios sexuais e tanto as dúvidas quanto os desejos relacionados à libido vão surgir juntamente com as modificações corporais. “A partir dos 7, 8 anos, a menina pode começar a questionar porque o peito da mãe é grande e o dela é pequeno, porque na vulva dela não tem pelos e na da mãe tem, por exemplo. No momento que existe o interesse pela mudança corporal, a criança já pode ter consciência do que é o sexo em si, pois ela também está muito exposta aos abusos, pois o corpo dela torna-se “atrativo” para adultos, porém, ela não tem maturidade, obviamente, podendo ser ludibriada”, diz a pediatra. É importantíssimo ressaltar que a educaçao sexual não estimula o interesse precoce pelo sexo, muito pelo contrário: essas base vai prevenir abusos e relacionamentos tóxicos, prevenindo também a inicialização sexual precoce. 

[vtex blocktype=”products” ids=”517″]

Dica de leitura 

No livro Corpo, amor e sexualidade: 120 perguntas e respostas para crianças e adolescentes (Editora Manole), a sexóloga francesa Charline Vermont traz informações sobre como conversar com crianças sobre sexualidade de acordo com a faixa etária, que é dividia entre 5 a 8 anos, 7 a 10 anos, e acima de 10 anos. Entre os assuntos abordados estão: o corpo humano, a intimidade, a puberdade, a autoestima, o consentimento, amor, sexo e prazer. Uma leitura interessante para quem deseja se aprofundar no assunto e ter uma linguagem clara, sincera e respeitosa com suas crianças a respeito da sexualidade. Provavelmente somos a primeira geração a realmente conversar mais abertamente sobre o assunto com nossos filhos. 

[vtex blocktype=”products” ids=”527,531″]

compartilhe esse carinho

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também vai gostar de ver

25/03/2024 • Designers

Organização, sustentabilidade e design: leve na mala os organizadores de roupas, brinquedos e acessórios.

ver artigo completo
20/03/2024 • Designers

Cosméticos em Barra Palma: zero resíduos e 100% ativos do Cerrado

ver artigo completo
02/03/2024 • Saúde e bem-estar

Por que o olfato e o paladar mudam durante a gestação?

ver artigo completo
29/02/2024 • Saúde e bem-estar

Dicas para uma introdução alimentar de qualidade

ver artigo completo
Ver mais publicações

Nossos temas favoritos

[optin-monster-inline slug="ecs7dujpozunqs1bing6"]

Desenvolvido por: