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Como preparar a chegada de um irmãozinho?

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Como preparar a chegada de um irmãozinho?

Mais um bebê está a bordo e a vida em família, que até então era compartilhada entre o casal e um filho, terá mais um integrante. Nesse momento, é comum surgirem dúvidas e até receios do tipo: será que serei capaz de amar os dois na mesma medida? O primogênito irá reagir bem à chegada do caçula? Stellar convidou a psicóloga e educadora parental Leticia Gonçalves, criadora do projeto Conversa Entre Marias e autora do livro “Chorar faz bem, falar também” para dar algumas dicas que irão ajudar a lidar com essas e outras questões

01/03/2023

Quando a família recebe a notícia de mais um filho a caminho é preciso cuidar de alguns pontos importantes. Será preciso encontrar o equilíbrio para uma nova realidade dos pais, integrando o bebê ao mesmo tempo em que acolhe e prepara o filho mais velho.

Vale começar falando de uma preocupação muito comum: terei amor para dividir com os dois filhos em medidas iguais? O amor pelo filho que existe é tão grande, que não é raro os pais duvidarem se há ainda mais amor a ponto de poder compartilhá-lo novamente. Mas basta ouvir outras famílias que já viveram essa experiência para notar que há amor para todos!

E não estranhe se após a descoberta de uma nova gestação você se sentir perdida. Todos podem experimentar esse sentimento. “A insegurança é inerente a uma nova realidade que ainda é desconhecida. E está tudo bem se sentir assim. O mais importante é validar os sentimentos e acolhê-los, sejam eles seus ou da criança”, diz a psicóloga Letícia Gonçalves.


Como contar ao filho sobre a chegada de um irmãozinho?

A palavra-chave aqui é naturalidade. Quanto mais simples e natural for o anúncio, mais a criança vai sentir que aquilo é normal, ainda que não tenha sido esperado. Chame a criança, se abaixe, olhando nos olhos dela, e diga que ela irá ganhar um irmãozinho que será uma experiência muito boa. Avise que ainda faltam alguns meses para o caçula nascer, que a barriga da mamãe vai ficar cada vez maior e que tudo isso é normal. Se notar que a criança fica ansiosa ou começa a perguntar com frequência quando o irmão vai chegar, tente dar exemplos de quanto tempo ainda falta: “depois do Natal”, “um pouco antes do seu próximo aniversário”, “nas férias”… Isso ajuda a tranquilizar o coração do primogênito. “Não dá para controlar como a criança irá se sentir após o anúncio. Alguns ficam mais sensíveis e chorões, outros se ressentem mais e ficam menos colaborativos, há ainda os que ficam mais quietos, dispersos e distantes. Em algum momento, todos vão se sentir inseguros. E é aí que entra o acolhimento dos pais, mostrando que a criança sempre terá o espaço na vida e rotina da família e que o irmão irá complementar a família e não subtrair o que já existe”, conta Letícia, que passou recentemente pela experiência de ser mãe de dois. 

Preparando o “terreno”

Quando estiver próximo da data prevista para o nascimento, converse com a criança e prepare-a para os próximos dias e meses. Conte a ela que é comum bebês chorarem, acordarem à noite e ficarem muito tempo no colo. Vale mostrar à criança fotos e vídeos dela quando era bebê, assim ela já vai se familiarizando e entende que quando ela nasceu também foi assim. Se perceber que a criança fica mais quieta ou preocupada, converse com ela e peça que faça desenhos sobre como se sente. Assim você também terá o entendimento de como a novidade está sendo vivenciada por ela. 

O bebê chegou!

Em muitos momentos você pode perceber que o primogênito sente saudades de coisas que fazia antes, quando não havia o irmão ou a irmã. “Não tenha medo de reconhecer para a criança que você também sente saudades de quando era só ela e conte que você também está se adaptando a essa nova realidade. Dessa forma, a criança entende que não é somente ela que está se sentindo deslocada e vê que é compreendida em seu sentimento”, diz a psicóloga. 

Nesse momento, se a sua criança gosta de ajudar e se sentir útil, envolva-a nas tarefas relacionadas ao bebê: ela pode ajudar a trocar, dar banho… Outra dica é comprar bonecas e itens de bebê para a criança cuidar também do “filho” ou “filha” dela. 

Um bebê em casa demanda muito tempo. Então, quando estiver com o primogênito, aproveite aquele momento para falar dele e curtir com ele o que ele gosta de fazer. É muito importante ter um tempo separadamente para o mais velho. E não repreenda caso o mais velho conte que sente raiva do irmão e de você.

“Sentir raiva faz parte desse processo. E há até crianças que expressam o desejo pela morte do irmão ou a vontade de matá-lo. Calma! Esse é um sinal da imaturidade da criança em ter que lidar com a divisão do espaço que antes era apenas dela. Converse, acolha, abrace. Diga que você sabe que ela está muito chateada com irmão e que nem sempre teremos apenas sentimentos bons ou dias bons, mas que se o irmãozinho morrer, eles perderão também dias incríveis ao lado dele e isso trará tristeza para toda a família. Melhor ficarem todos vivos e bem, né?!”, orienta Letícia. 


Regressão de comportamento?

Muito se fala na regressão de comportamento, que na verdade são sinais de que a criança está sob estresse e também uma forma que encontram de pedir colo, aconchego e atenção. “Sinceramente, nem gosto desse termo porque o amadurecimento e desenvolvimento humano não é linear. O que acontece é que a criança pode querer se sentir amada como ela acha que o bebê é.  E para ser cuidada como o bebê, ela entende que será preciso imitá-lo. Para ajudar, os pais podem falar como cada fase tem suas características e partes boas e ruins. E conversar sobre como a criança está se sentindo com a chegada do irmão”, explica a especialista.


Fique atenta se…

A criança sentir tristeza, raiva e choro muitas vezes ao dia, passando, inclusive, a se isolar; começar a comer ou roer unhas ou colocar a mão constantemente na boca; tiver pesadelos e repressões de sono ou medos que impossibilitam as atividades do cotidiano. Nesses casos, sempre vale a conversa e o acolhimento dos pais, mas se os comportamentos forem persistentes, busque ajuda de uma psicóloga especializada em crianças, que poderá conduzir de maneira mais assertiva a situação e ajudar a família a encontrar o tão desejado equilíbrio para uma convivência harmoniosa e feliz. 


As dicas fizeram sentido para você? Comente aqui o que achou! Aproveite e recomende a página para uma amiga que está se preparando para a chegada de mais um filho. 

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